O QUE É LÚPUS?
A seguir explicaremos os sintomas e manifestações do lúpus eritematoso sistêmico (LES), que, junto com o lúpus cutâneo, são os tipos mais frequentes de lúpus. Dedicaremos um capítulo separado para falar mais detalhadamente sobre o lúpus discoide e outros tipos de lúpus cutâneo.
O lúpus é uma doença autoimune, isso significa que, por erro, o sistema imune não reconhece o próprio corpo e ataca sem controle diferentes órgãos ou tecidos.
““O ataque autoimune produz inflamação, o que causa sintomas ou problemas no funcionamento dos órgãos afetados.””
A causa do lúpus é desconhecida e, por enquanto, não existe cura para a doença. No entanto, há tratamentos que permitem controlar adequadamente os sintomas e evitar complicações.
O lúpus é mais frequente em mulheres jovens, embora também possa afetar homens, crianças e pessoas idosas.
EXISTEM QUATRO TIPOS DE LÚPUS BEM DEFINIDOS
1. LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES)
É o mais frequente entre os quatro tipos de lúpus. Pode afetar qualquer parte do corpo e produzir diferentes sintomas. Não existem dois pacientes com lúpus iguais, por isso, o diagnóstico e o tratamento são difíceis, e devem ser determinados por médicos com experiência na doença. O reumatologista é o especialista que cuida das pessoas com lúpus. Muitas vezes, o reumatologista precisa da participação de outros especialistas como o nefrologista, que trata dos problemas nos rins; o pneumologista, que trata das manifestações pulmonares; o neurologista, que trata das doenças do sistema nervoso; o obstetra, que faz o acompanhamento da gravidez no lúpus; e o psiquiatra ou psicólogo que tratam dos problemas emocionais ou mentais das pessoas que vivem com lúpus.
2. LÚPUS CUTÂNEO
Ataca somente a pele, o tratamento e acompanhamento devem ser realizados pelo dermatologista (especialista que trata das doenças de pele).
3. LÚPUS INDUZIDO POR DROGAS
É uma reação autoimune provocada por determinados medicamentos em pessoas com predisposição. Na maioria das vezes, os sintomas deste tipo de lúpus desaparecem quando o medicamento é interrompido.
4. LÚPUS NEONATAL
É uma inflamação na pele de um bebê recém-nascido de mãe com lúpus. Essa reação provoca uma vermelhidão que desaparece em alguns meses. Em um pequeno número de casos, o lúpus neonatal provoca problemas no coração do bebê.
SINTOMAS E MANIFESTAÇÕES DO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES)
Nem todos os pacientes com lúpus têm os mesmos sintomas. Além disso, não existe qualquer teste de laboratório que permita, por si só, confirmar o diagnóstico. Por esse motivo, o LES é difícil de diagnosticar e, muitas vezes, as pessoas com lúpus passam de um médico para o outro durante anos até obter o diagnóstico. Os primeiros sintomas do lúpus podem ser semelhantes aos causados por uma infecção viral como, por exemplo, cansaço, perda de apetite, perda de peso, dores musculares e articulares, ou febre.
De acordo com o órgão envolvido, o LES também pode causar:
Inflamação das articulações ou artrite: as articulações ficam inchadas, rígidas, ou entorpecidas, e doem com o movimento.
Inflamação de pele e mucosas: eritema malar ou em “asa de borboleta” nas bochechas, vermelhidão na pele exposta ao sol, aftas ou feridas na boca, queda anormal de cabelos.
Mudança de cor nos dedos das mãos com o frio: também conhecido como fenômeno de Raynaud, os dedos ficam brancos, roxos e depois vermelhos.
Inflamação de órgãos vitais: rins, pulmões, coração e cérebro.
Problemas nas células do sangue: anemia, diminuição de glóbulos brancos, diminuição das plaquetas. Em alguns casos, existe uma produção anormal de coágulos.
Doenças associadas como: infecções, fibromialgia e osteoporose.
““Dependendo dos órgãos afetados e da intensidade ou extensão da inflamação, o
lúpus pode ser leve, moderado ou grave.””
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de lúpus pode ser difícil, já que se manifesta através de múltiplos sintomas comuns a outras doenças.
Diante da “suspeita” de lúpus, o médico solicitará diferentes exames de sangue (para detectar a presença de anticorpos) e de urina.
““Os anticorpos mais frequentemente encontrados no LES são FAN ou ANA (anticorpos antinucleares).””
Outros como anti-Ro, anti-La, anti-Sm, anti-DNA e anticorpos da síndrome antifosfolípide.
Nenhum desses anticorpos é exclusivo do lúpus, o que significa que também podem aparecer em outras doenças autoimunes, em doenças infecciosas ou até se encontrar em algumas pessoas saudáveis.
“A presença de anticorpos antinucleares (ANA ou FAN) em pessoas sem sintomas da doença não tem valor diagnóstico.”
Em determinadas circunstâncias, é necessário fazer uma biópsia do órgão afetado para diagnosticar e avaliar a gravidade.
PONTOS RELEVANTES
O lúpus é mais frequente em mulheres do que em homens: a cada dez mulheres com lúpus, geralmente há apenas um homem com a doença.
Entre as mulheres, a idade em que os sintomas começam a aparecer com mais frequência é entre os 15 e os 45 anos, isto é, na idade fértil da mulher (quando pode ter filhos).
É uma doença autoimune. Auto significa próprio, e imune é um sistema ou grupo de órgãos em nosso corpo que nos protege de ataques externos como as infecções. Em uma doença autoimune como o lúpus, o sistema imune perde o controle e se confunde, e ataca o próprio corpo.
O lúpus pode atacar diferentes órgãos ou partes do corpo, por isso, as pessoas com lúpus podem ter sintomas muito diferentes entre si. Devido ao fato de que os sintomas são tão variados e diferentes de paciente para paciente, não existem duas pessoas com lúpus iguais.
Os sintomas mais frequentes são mal-estar geral, cansaço, febre, dor articular ou muscular, vermelhidão no rosto e em partes do corpo expostas ao sol, queda de cabelos, dor no peito ao respirar fundo, retenção de líquidos.
O diagnóstico é difícil, porque os sintomas do lúpus são semelhantes aos de outras doenças.
Os anticorpos estudados no sangue no caso de suspeita de lúpus ajudam no diagnóstico, isso ocorre porque indicam se há um ataque contra o próprio corpo.
No entanto, a presença de anticorpos SEM sintomas ou manifestações clínicas NÃO é suficiente para confirmar o diagnóstico.
DICAS DE CUIDADO E CONTROLE
1. Tente obter a maior quantidade de informações sobre a doença, seus sintomas e possíveis complicações. Mantenha-se informado sobre o tratamento.
2. Se você foi diagnosticado/a com lúpus, é importante que visite regularmente seu reumatologista, que trabalhará em equipe com diferentes especialistas, de acordo com os seus sintomas e possíveis complicações.
3. Não deixe de comparecer às consultas periódicas com o reumatologista e com os diferentes especialistas, nem abandone o tratamento, já que ele diminui o risco de recaídas ou surtos da doença, e evita complicações.
4. É fundamental que você se proteja dos raios solares, já que os raios ultravioletas do sol podem desencadear surtos da doença.
5. Fumar, consumir álcool e o estresse também podem ativar o lúpus.
PERGUNTAS FREQUENTES
QUAL É A CAUSA DO LÚPUS?
Não conhecemos a causa do lúpus, mas sabemos que existem diferentes fatores que predispõem uma pessoa a desenvolver a doença. Por exemplo, a predisposição genética para apresentar esta doença e os hormônios femininos (por isso a doença é mais frequente em mulheres). Além disso, existem determinados fatores que desencadeiam o lúpus como o estresse físico e emocional, infecções, exposição a raios ultravioleta provenientes do sol ou alguns medicamentos.
OS HOMENS TAMBÉM PODEM TER LÚPUS?
Há nove mulheres a cada um homem com lúpus. As manifestações clínicas podem variar de acordo com o sexo.
O LÚPUS TEM CURA?
O lúpus é uma doença crônica, isto é, que não tem cura e é necessário realizar um tratamento crônico. Caracteriza-se por atacar em forma de surtos ou recaídas da doença, os quais alternam com períodos de remissão (lúpus adormecido). Os pacientes apresentam sintomas variados, de acordo com o órgão ou os órgãos afetados. Na maioria dos casos, o lúpus pode ser controlado com o tratamento adequado orientado por médicos com experiência na doença. Em algumas ocasiões, a doença é grave e pode deixar sequelas nos diferentes órgãos comprometidos.
MEUS FILHOS PODEM TER LÚPUS, COMO EU?
O lúpus não é uma doença hereditária, o que significa que não é transmitido diretamente de pais para filhos. No entanto, há famílias com uma predisposição genética para ter lúpus ou outras doenças autoimunes semelhantes. É por isso que o lúpus pode se apresentar em mais de um membro de uma mesma família, inclusive filhos, embora aconteça em uma porcentagem muito baixa. Também pode acontecer que uma família tenha predisposição genética, e que vários dos seus membros tenham diferentes doenças autoimunes como lúpus, artrite reumatoide, tireoidite.
POSSO ENGRAVIDAR SE EU TENHO LÚPUS?
Nas décadas passadas, a gravidez estava proibida para as pacientes com lúpus, mas na atualidade é possível ter uma gravidez sem complicações para a mãe nem para o bebê. Isto é possível com uma gravidez planejada, quando o lúpus está adormecido, e com a supervisão de um obstetra e um reumatologista com experiência no lúpus.